Ontem fui ao cinema...
Para quem pense que ir ao cinema é sempre sinónimo de "espairecer", "relaxar", etc, "ops"...
Este filme, de título "Censurado", retrata o quotidiano de alguns soldados no Iraque, filmado por um deles. Dúvidas, ódios, pressões, desesperos, sangue... Ali, naquele cenário de horrores, tudo parece desculpa para libertar o que de mais cruel há em cada um. Ali, podemos ver que há pessoas boas e pessoas menos ou nada boas. Ali, estando todos sob a mesma pressão e o mesmo desespero (normais em quem participa numa Guerra, pior ainda se não perceber ao certo qual é o motivo para estar na corda bamba), uns provam ter sentido de justiça, de dignidade; outros, não.
Assuntos (mal) censurados. Imagens e histórias com as quais todos devíamos ser confrontados. A certa altura, no filme, alguém acusa o soldado que filma (cujo sonho é ingressar na Escola de Cinema) de se limitar a filmar, sem fazer nada para impedir que os colegas de pelotão cometam atrocidades. Ou seja, não as comete mas também não as impede. A resposta surge imediatamente. SÓ filma e os espectadores SÓ assistem às imagens. No fim das contas, não é só ele que não faz nada para impedir. Somos todos nós. Uma coisa é não termos acesso, desconhecermos... Aí, falta-nos um motivo. Mas, conhecendo... Uma vez tomada consciência! "Come mai non facciamo nulla?", diriam os italianos. Que desculpa damos nós a essa mesma consciência para permitirmos que alguns libertem o que de mais cruel têm em si, em nome da democracia e da liberdade? Que democracia é essa, afinal, que invade, viola, queima, mata e espalha o terror pelas faces de quem precisava de ajuda e não de mais carrascos?
Além deste filme, ontem vi outra imagem que me chocou. Abri o jornal e lá estava. A fotografia de um novo casal, no Afeganistão. Ele, de 40 anos. Ela, de 11.
Para lá das paredes da Europa, é assim que o mundo está. "Para lá das paredes da Europa"? Dentro delas, Kadafi discursou e fez questão de afirmar que, antes de acusar e fazer acusações a África, a Europa devia olhar para dentro e verificar se reconhece os direitos que tanto publicita, aos imigrantes. Chama-se a isto pôr o dedo na ferida... Mas, Sr. Kadafi, por mais razão que tenha, lave a boca antes de falar da Europa.
Filmes, jornais, telejornais, rádio, internet... Nunca tivémos tanto acesso a notícias, ao que vai no mundo. E, também, nunca fizémos tão pouco para melhorar as coisas.
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