sábado, 3 de novembro de 2007

Então, você adormece... By Ivete.

"O tempo não é algo que possa voltar para trás. Portanto, planta o teu jardim e decora a tua alma, ao invés de esperares que alguém te traga flores." (W. Shakespeare)

É comum encontrarmos no nosso caminho pessoas que só se preocupam em querer mais e mais de nós. Não é comum encontrarmos quem queira dar, desinteressadamente. E, infelizmente, também não é comum encontrarmos qem dê valor ao que lhe é oferecido sem qualquer interesse intrínseco. Só pelo prazer de partilhar. Porém, e ainda bem que assim é, também não é usual partilharmos uma coisa desinteressadamente e sermos confrontados com exigências de mais. Aconteceu-me, há pouco tempo, partilhar uma coisa e receber por resposta uma exigência. Ou melhor, um juízo de valor. Disse a alguém que sentia que poderíamos ter vivido uma história bonita. E tal poderia ter acontecido se para isso estivéssemos disponíveis, porque temos coisas em comum que dificilmente encontro em algumas outras pessoas que me chamem à atenção. Recebi uma resposta brusca, quase acusatória. Disse-me que não o amo e que não sei o que quero. Porque se amasse, não desistia. E que devo amar e acreditar. Nada que não esperasse, vindo de quem veio... Uma pessoa de quem sou amiga e que quero ver feliz. Mas, muito sinceramente, chocou-me a falta de tacto e de noção... Toda a gente tem um passado, mais ou menos bom, mais ou menos ultrapassado. Mas todas as pessoas o têm. E o meu é um tanto ou quanto atribulado no que respeita ao amor. Fui aprendendo, enquanto amava e sofria... Mas, até hoje, não houve amor que sentisse que não fosse explicável por qualquer coisa especial. Pelo que único faz cada pessoa ser diferente mas tembém pelo interesse demonstrado pelo que sou, pelo que sinto. Quer-me parecer que a fase em que saímos do nosso mundo para o mundo onde se encontra também outra pessoa, é uma fase não só de admiração cega, de bajulação... Mas de amadurecimento, de aceitação, partilha, adaptação... De amor.

Aquele egoísmo que estava presente nas palavras que recebi não entra no meu conceito de amor. Claro que não o amo. Na verdade, mal o conheço... Uma coisa é a paixão, a química, a loucura que nos leva a ponderar saltar para o lado de lá, o lado em que não estaremos sós e em que outro alguém que não nós próprios é uma prioridade na nossa vida. Mas é preciso saltar. É com esse salto que o amor nasce. Antes desse salto, há a curiosidade e, eventualmente, a paixão (até mesmo no sentido de sofrimento...) mas não há amor.

Como é que da confissão de uma eventualidade, que no fundo mais não é que um elogio bonito - "se pudesse ser, podia ser bonito"... - resulta uma resposta assim? Ninguém é obrigado a amar. E, ao contrário do que quem me passou essa mensagem pode pensar, também ninguém é obrigado a amar e a acreditar cegamente nesse amor sem ter retorno. E digo isto, por uma coisa simples: há suficiente beleza no mundo para suportar e ultrapassar o que nele há de feio. E encontrar uma pessoa especial é isso mesmo. Encontrar uma pessoa especial. Diferente. Mas, encontrar uma pessoa que vale a pena amar, é encontrar uma pessoa especial que também sabe dar. Não que seja preciso receber para amar. Nada disso. Mas... É tão mais bonito quando tudo é partilhado.

http://www.youtube.com/watch?v=L41IbkNOCcM

Ouvi hoje uma canção da minha querida Ivete Sangalo, ao vivo com um cantor brasileiro chamado Saulo. Para quem quiser perceber um bocadinho dos meus devaneios:

http://www.youtube.com/watch?v=u2AihPGYTwI

E porque não deve haver arrependimentos, senão do que não se fez... :

http://www.youtube.com/watch?v=Tuk1etnW12o

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