terça-feira, 30 de outubro de 2007

Tento saber...

Há dois ou três anos, ouvi uma canção que dizia tudo aquilo que eu queria dizer. Acredito que uma boa canção representa melhor que qualquer outra coisa, o que de mais profundo podemos querer exprimir e, por uma ou outra razão, não conseguimos fazê-lo. Só cantando. Palavras que não são nossas mas que conseguem traduzir o que vai cá dentro. Foi isso que senti ao ouvir esta canção. É isso que quero voltar a sentir, ouvindo-a. Alguém que me faça querer tentar saber. Alguém que tal como a letra e a melodia são uma para a outra, seja para mim uma condição de sentido. Porque tudo faz mais sentido, quando duas pessoas se amam mutuamente, reciprocamente, apaixonadamente, sem medos. Quando comunicam através do olhar e cantam um "amo-te" baixinho, ao ouvido do amante. O amor que anseio não é espalhafatoso. Não necessito que o cantem a todos mas tão só a mim.

http://www.youtube.com/watch?v=iBVebzwVbOE

Houve já momentos em que quase pensei que não valeria a pena amar de novo. Talvez pelo turbilhão de sensações que nos assaltam quando baixamos os braços e percebemos que uma história bonita terminou. Tudo parece inútil. Dispensável. Insatisfatório. Muito aquém do que (ou de quem) queremos. As pessoas vão passando pela nossa vida e, cada uma delas, tem um papel mais ou menos especial. E a verdade é que nem sempre sabemos escolher bem os protagonistas desta história que vamos escrevendo todos os dias. Por vezes, são os actores secundários que nos surpreendem. São eles que nos fazem sentir as melhores pessoas do mundo. São eles que nos dizem que nos amam ou que nos amaram muito em tempos, quando não pudemos ou não quisemos perceber. Mas, ainda assim, dizem-nos e fazem-nos pensar que não se tratou de uma oportunidade perdida mas de um (triste) desencontro. Um desencontro de duas almas que não se amaram e não se quiseram concomitantemente. Duas almas que sempre se quiseram bem. Mas, a certo momento, uma quis mais que a outra. E respeitou os sentimentos da outra. E absteve-se de interferir, de modo egoísta, calando o que sentia para nunca colocar em risco uma preciosa amizade.

Esta capacidade de amar comoveu-me, ontem. Muito. Soube que fui amada. Que sou querida. Que fui respeitada por alguém que me é muito querido e que alou o que sentia para não me perturbar num momento em que eu sofria por outro alguém. Agradeci a sinceridade, a bondade e a pureza da confissão. Agradecerei sempre. O amor é isto. Querer bem a alguém, e perceber que ninguém tem de amar-nos. E quando ama, é uma benção que devemos receber com o mesmo respeito e gratidão. Grazie a te, amico mio, per dirmi quello che hai detto. Non dimenticherò mai il tuo gesto e ti ringrazio per la tua amicizia e sincerità :)

3 comentários:

Unknown disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Unknown disse...

Ana, sicuramente quei baci che non ci furono non sarebbero stati più dolci della nostra attuale confidenza. Avvolte il cammino più corto non è un a riga dritta, ma una che viene e va, seguendo i brividi del propio cuore.

Grazie.

Lu disse...

Vero! Grazie a te, carissimo amico... Sono felice di sapere che hai letto queste parole che ho scritto :) Quando torni a Bologna? Non dimenticare di salutarla per me :) Baci tanti*