domingo, 28 de outubro de 2007

A menina que sou...


Sinto-me encher de vida
Nas mãos de uma pequena menina,
Que sonha acordada e segue
Sonhando, vida fora.

Há um inexplicável sentido no que a move,
Há uma pureza inabalável que me faz
Não querer saltar das mãos dela
Para o mundo.

Ela adormece, e eu adormeço com ela.
Descanso, sorrio, danço...
Até ela acordar e o sonho continuar
Com uma força extenuante.

Se ela me falta, fico perdida
E é vida que não quero conhecer.
A vida sem ela é o abismo
De me querer forçar a viver.

Com ela, a menina ingénua
Que há em mim,
Rio-me do tudo e
Deslumbro-me perante o nada.

O amanhã, para ela, é tão só o amanhã.
A sua voz diz-me que o agora é tudo e
Que o ontem já não é nada.
E eu, adormecida no sonho dela, acredito.

A sua serenidade embala-me
A cada tristeza.
E a sua leveza permite-me
Maiores sorrisos.

A menina, a pequena e doce menina
Que sou.
A menina que cresce mas não deixa
De ir sonhando, vida fora.

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