domingo, 28 de outubro de 2007

Ignorância mortal


Domingo :) Acordei, limpei a casa e preparei-me para voltar às leituras... Há tanto para saber, para conhecer... Uma cultura que nada tem que ver com a minha. Ou terá? Quanto mais leio e mais me impressiono, com a passagem das páginas, menos me vou impressionando... Mais vou entendendo lógicas que não são a minha. Mais insensivel me vou tornando... O que me assusta. Mas, ao mesmo tempo, ninguém ajuda estando no estado em que fiquei quando comecei a aprofundar o que se passa no mundo... Muito além do que convém aos media irem passando, muito mais do que chega até nós. E devia chegar. Tudo mudaria se chegasse. Não sabemos, nem nos importamos... Porque, longe da vista... Ouvimos notícias de como vai o mundo, das desgraças no Darfur, nas Canárias, no Iraque, na Palestina, em Israel... Mudamos de canal, mudamos de estação ou optamos pelo CD. Já chegam todos os problemas que temos. As angústias de cada um... As preocupações - supermercado, limpezas, roupa para lavar, para passar a ferro... Comidas para toda a semana... Trabalho, clientes exigentes... Dinheiro... A falta de dinheiro... Crianças... Enfim... Toda uma vida que já preenche grande parte do cérebro. O resto... Há que preenchê-lo com actividades ao ar livre, diversões... Porque é preciso rir... Porque chorar pelas desgraças do mundo, nos nossos tempos livres, levar-nos-ia à loucura. E compreendo isso. Respeito cada um, com o caminho que escolhe traçar. E nao digo que todos deveríamos chorar por quem sofre. Todos sofremos, é certo. Mas, convenhamos, que uns mais que outros... Nem é de chorar que se trata. Mas de pensar. De efectivamente pensar neles. Que são pessoas, como nós. Pessoas que nada fizeram de mal. Pessoas cujo único "crime" foi terem tido o azar de nascerem onde nasceram. Azar. Incontrolável e mortal.

O que é feito de nós? Onde foi que nos perdemos tanto uns dos outros? Onde foi que achámos na destruição do outro a nossa vitória ou o nosso objectivo de vida? Não podemos senao falar na segunda pessoa do plural. Todos temos alguma culpa. Porque destruímos ou porque vamos deixando que destruam. Vidas, familias, tradições... Não custa tirar um minuto para pensar no que vamos deixando que aconteça. Para deixar de viver na hipócrita ilusão do "nada posso fazer". Do "sou só um"... As grandes desgraças que vão acontecendo mundo fora, acontecem no silêncio... Não hé televisão que lá chegue. Não há sistema que se importe realmente. Não há minutos para pensar nelas. As grandes desgraças têm na ignorância a sua maior arma. E é esse o desarmamento por que devemos lutar com mais convicção!

(Coimbra, 20 de Maio de 2007)

2 comentários:

Anónimo disse...

Com'è vero... E come se l'avevo scritto io, corrisponde tanto a cio che penso, e anche cio che ho visto.
E la foto e la mia! Abdulrhazak, dal Burkina Faso.
Baci Lu

Anónimo disse...

Si :) Grazie bello! Per le foto e peressere presente nella mia vita :) Baci*