Há dois ou três anos, ouvi uma canção que dizia tudo aquilo que eu queria dizer. Acredito que uma boa canção representa melhor que qualquer outra coisa, o que de mais profundo podemos querer exprimir e, por uma ou outra razão, não conseguimos fazê-lo. Só cantando. Palavras que não são nossas mas que conseguem traduzir o que vai cá dentro. Foi isso que senti ao ouvir esta canção. É isso que quero voltar a sentir, ouvindo-a. Alguém que me faça querer tentar saber. Alguém que tal como a letra e a melodia são uma para a outra, seja para mim uma condição de sentido. Porque tudo faz mais sentido, quando duas pessoas se amam mutuamente, reciprocamente, apaixonadamente, sem medos. Quando comunicam através do olhar e cantam um "amo-te" baixinho, ao ouvido do amante. O amor que anseio não é espalhafatoso. Não necessito que o cantem a todos mas tão só a mim.
http://www.youtube.com/watch?v=iBVebzwVbOE
Houve já momentos em que quase pensei que não valeria a pena amar de novo. Talvez pelo turbilhão de sensações que nos assaltam quando baixamos os braços e percebemos que uma história bonita terminou. Tudo parece inútil. Dispensável. Insatisfatório. Muito aquém do que (ou de quem) queremos. As pessoas vão passando pela nossa vida e, cada uma delas, tem um papel mais ou menos especial. E a verdade é que nem sempre sabemos escolher bem os protagonistas desta história que vamos escrevendo todos os dias. Por vezes, são os actores secundários que nos surpreendem. São eles que nos fazem sentir as melhores pessoas do mundo. São eles que nos dizem que nos amam ou que nos amaram muito em tempos, quando não pudemos ou não quisemos perceber. Mas, ainda assim, dizem-nos e fazem-nos pensar que não se tratou de uma oportunidade perdida mas de um (triste) desencontro. Um desencontro de duas almas que não se amaram e não se quiseram concomitantemente. Duas almas que sempre se quiseram bem. Mas, a certo momento, uma quis mais que a outra. E respeitou os sentimentos da outra. E absteve-se de interferir, de modo egoísta, calando o que sentia para nunca colocar em risco uma preciosa amizade.
Esta capacidade de amar comoveu-me, ontem. Muito. Soube que fui amada. Que sou querida. Que fui respeitada por alguém que me é muito querido e que alou o que sentia para não me perturbar num momento em que eu sofria por outro alguém. Agradeci a sinceridade, a bondade e a pureza da confissão. Agradecerei sempre. O amor é isto. Querer bem a alguém, e perceber que ninguém tem de amar-nos. E quando ama, é uma benção que devemos receber com o mesmo respeito e gratidão. Grazie a te, amico mio, per dirmi quello che hai detto. Non dimenticherò mai il tuo gesto e ti ringrazio per la tua amicizia e sincerità :)
terça-feira, 30 de outubro de 2007
domingo, 28 de outubro de 2007
Gocce di memoria








Mi manca parlare, mi manca scrivere... Alla fine, mi manca questa lingua diversa che ho fatto mia per 6 mesi... No. Che ho fatto mia per la vita. E mi manca anche sentire questa lingua. Ci sono delle parole che non trovo più. Perché la parlo di meno ogni giorno. La sento nella mia testa tutti i giorni, tutti i momenti di sogni... Gocce di memoria... Quello che rimanerà sempre qui dentro, nel mio cuore, in tutto quello che sono ed in tutto quello che sarò sempre - una persona innamorata. Innamorata della vitta, innamorata del mio paese, dei miei, e d'Italia :) La mia bella Italia - quella che mi ha ricevuta con le sue mani, per farmi andare sempre, verso tutto quello che voglio, tutto quello che mi farà vivere sempre di più!
Così, ci sono tante canzone che mi fanno volare verso un mondo dovè c'è soltanto una voglia d'essere felice, di ridere tutti i giorni... Gocce di memoria.
Em português, pedacinhos de memória - memórias de Itália, memórias de pessoas que tive a grande sorte de encontrar no meu caminho, memórias da minha vida... Banda sonora de um filme estupendo, chamado "La finestra di fronte" que nos fala de amor, de dúvidas, de compromisso, de traição, de dilemas. Um filme que vi em Roma, quando parti, pela primeira vez, para a aventura de aprender italiano. Um ano antes de partir para uma outra aventura, chamada erasmus... Para quem quiser ouvir e ver:
http://www.youtube.com/watch?v=j9kshCP2Ex0
Così, ci sono tante canzone che mi fanno volare verso un mondo dovè c'è soltanto una voglia d'essere felice, di ridere tutti i giorni... Gocce di memoria.
Em português, pedacinhos de memória - memórias de Itália, memórias de pessoas que tive a grande sorte de encontrar no meu caminho, memórias da minha vida... Banda sonora de um filme estupendo, chamado "La finestra di fronte" que nos fala de amor, de dúvidas, de compromisso, de traição, de dilemas. Um filme que vi em Roma, quando parti, pela primeira vez, para a aventura de aprender italiano. Um ano antes de partir para uma outra aventura, chamada erasmus... Para quem quiser ouvir e ver:
http://www.youtube.com/watch?v=j9kshCP2Ex0
Desenhos que falam
Há alguns dias, a Amnistia Internacional pediu que nos juntássemos à sua campanha por Darfur. Tudo aconteceu no Largo de Camões, em Lisboa. Fui até lá e assinei uma petição que tem por objectivo a inclusão do tema Darfur na cimeira a realizar entre a UE e África. O laço preto que distribuíram representa bem o luto que podemos sentir todos os dias, por termos diante dos nossos olhos uma desgraça contra a qual nos convencemos de que pouco podemos fazer e que, quem pode, opta por ignorar. Em nome de outros valores ou critérios, Darfur afunda-se, a cada dia, num genocídio que não é a História que repete... Somos nós. Somos nós, os cegos e surdos que nada aprenderam com a História e que apregoam pelo mundo teorias e palavras de arrependimento pelo passado, enquanto o presente ecoa que nada ou pouco mudou. No Largo de Camões, a AI expos dois desenhos de crianças do Darfur. Num, podíamos ver um grupo de homens que apontavam as suas armas para uma casa que, suponho, seria a da própria criança que os desenhou. No outro, a violação de mulheres. Mais que qualquer fotografia que tenha visto até hoje, estes desenhos foram mais que um estalo na cara, mais que um murro no estômago. Por tudo o que não fiz, por impotência é certo... Mas, não fiz. Não fizémos. Será a impotência real? Ou será a melhor forma de nos convencermos de que somos boas pessoas? Seres bondosos que mais não fazem apenas porque mais não podem fazer... No frigorifico dos meus tios, está um desenho que o meu primo fez. Tem cinco anos e desenhou árvores, borboletas, pessoas com um sorriso na cara, núvens... O Sol. Um Sol que existe (felizmente) para ele. Um Sol que ele vê, que ele conhece. Sorrisos que ele presencia. Árvores que crescem... E, pergunto-me... Não deveriam todas as crianças poder desenhar assim?
(Espinho, 20 de Setembro de 2007)
(Espinho, 20 de Setembro de 2007)
Chuva de prata

"... Cada vez que o amor disser 'vem comigo', vai sem medo de se arrepender. Você deve acreditar no que é lindo. Pode ir fundo; isso é que é viver..." Algures no meio de uma noite em que ia reinando um sono profundo, acordei. Podia ter ficado chateada pela interrupção de um sonho bonito. Mas, limitei-me a sorrir... A verdade é que parei de esperar pela noite e pelo fechar dos meus olhos, para viver coisas bonitas. Prefiro vivê-las de olhos abertos e dormir profundamente, depois de todas as energias terem sido absorvidas por entre olhares, sorrisos, "andanças" e ondas de criatividade no que respeita à construção de uma vida que seja mais do que "teria sido se...". Não chega. O "se...", esse poderoso bloqueador de avanços, de passos. O"se..." que faz estagnar. Que me fez estagnar por momentos. Não me estagna mais. Opus-lhe um sorrisinho maroto e decidi provocá-lo... A cada "se...", busco a resposta. Ficar a questionar-me, sozinha, no meu casulinho solitário deixou de ser opção. Quando não há resposta... Deixo de perguntar "e se...?". Porque "se" não foi é porque não tinha que ser. E "se" não fiz tudo o que podia ter feito para que fosse diferente, foi porque não me pareceu que devesse fazê-lo ou, simplesmente, não soube como fazê-lo. Mas, não sabendo, também não procurei descobrir... Por último, "se" fiz tudo o que podia ter feito e não foi diferente, porquê continuar a deixar-me estar quieta, estagnada? Pois bem, não vi razão para isso e, de facto, tal razão não existe. Cada coisa a seu tempo: para a alegria também! Não sou vítima senão das minhas escolhas, do percurso que tracei. Não sou vítima senão de mim e quero-me bem. Considero ter sorte por não haver na minha vida contrariedades maiores, como sei que existem tantas por esse mundo fora. Por vezes, páro para reflectir algum tempo sobre a sorte que tenho e agradeço-a. Há sofrimentos, angústias que doem tanto que parecem queimar-nos por dentro. Uma dor que ninguém sabe que sofremos. Uma dor só nossa, sem espaço para partilha, para alívio... Uma dor que deriva da impotência que existe, por vezes. A impotência de amar de determinado modo. O modo que guia ao sucesso de uma relação. Sem egoísmos ou desamor, nada disso... A maior dificuldade consiste em encontrar quem nos faça querer despir outras prioridades e vestir a do amor. E, uma vez encontrado esse alguém, nova barreira: adaptação ao outro. Orgulho das qualidades. Aceitação dos defeitos... Com um pedido de esforço para mudar ou... Com um sorriso. Porque ninguém é perfeito e é nas pequenas imperfeições que o verdadeiro amor nasce e cresce.
Quando tinha 10 anos, o meu avô materno morreu. Dizem que "os melhores vão mais depressa"... E, cada vez mais, acho que sim. Que foi depressa demais. Um homem bom. Um bom avô que foi também um bom marido, um bom pai. Um bom amigo. Um bom homem que deixou saudades. Que deixou respeito e exemplo. Um homem que nunca deixou de viver e de acreditar em causas que considerava suas e que abraçava sem medos. Um homem que amarei sempre e que lembrarei sempre, como um homem bom, que tive a sorte de ter na minha vida durante 10 anos. Um anjo que me protege, onde quer que esteja. Obrigada avô. Muito obrigada por me teres feito ver a importância de uma família, de valores de que nunca abrirei mão, da educação e... Do amor.
(Lisboa, 6 de Setembro de 2007)
Ignorância mortal
Domingo :) Acordei, limpei a casa e preparei-me para voltar às leituras... Há tanto para saber, para conhecer... Uma cultura que nada tem que ver com a minha. Ou terá? Quanto mais leio e mais me impressiono, com a passagem das páginas, menos me vou impressionando... Mais vou entendendo lógicas que não são a minha. Mais insensivel me vou tornando... O que me assusta. Mas, ao mesmo tempo, ninguém ajuda estando no estado em que fiquei quando comecei a aprofundar o que se passa no mundo... Muito além do que convém aos media irem passando, muito mais do que chega até nós. E devia chegar. Tudo mudaria se chegasse. Não sabemos, nem nos importamos... Porque, longe da vista... Ouvimos notícias de como vai o mundo, das desgraças no Darfur, nas Canárias, no Iraque, na Palestina, em Israel... Mudamos de canal, mudamos de estação ou optamos pelo CD. Já chegam todos os problemas que temos. As angústias de cada um... As preocupações - supermercado, limpezas, roupa para lavar, para passar a ferro... Comidas para toda a semana... Trabalho, clientes exigentes... Dinheiro... A falta de dinheiro... Crianças... Enfim... Toda uma vida que já preenche grande parte do cérebro. O resto... Há que preenchê-lo com actividades ao ar livre, diversões... Porque é preciso rir... Porque chorar pelas desgraças do mundo, nos nossos tempos livres, levar-nos-ia à loucura. E compreendo isso. Respeito cada um, com o caminho que escolhe traçar. E nao digo que todos deveríamos chorar por quem sofre. Todos sofremos, é certo. Mas, convenhamos, que uns mais que outros... Nem é de chorar que se trata. Mas de pensar. De efectivamente pensar neles. Que são pessoas, como nós. Pessoas que nada fizeram de mal. Pessoas cujo único "crime" foi terem tido o azar de nascerem onde nasceram. Azar. Incontrolável e mortal.
O que é feito de nós? Onde foi que nos perdemos tanto uns dos outros? Onde foi que achámos na destruição do outro a nossa vitória ou o nosso objectivo de vida? Não podemos senao falar na segunda pessoa do plural. Todos temos alguma culpa. Porque destruímos ou porque vamos deixando que destruam. Vidas, familias, tradições... Não custa tirar um minuto para pensar no que vamos deixando que aconteça. Para deixar de viver na hipócrita ilusão do "nada posso fazer". Do "sou só um"... As grandes desgraças que vão acontecendo mundo fora, acontecem no silêncio... Não hé televisão que lá chegue. Não há sistema que se importe realmente. Não há minutos para pensar nelas. As grandes desgraças têm na ignorância a sua maior arma. E é esse o desarmamento por que devemos lutar com mais convicção!
(Coimbra, 20 de Maio de 2007)
Serenata, com muito encanto...
Hoje fui assistir à serenata, em Coimbra :) Nenhum som ilustra melhor aquilo que somos, que o fado. Nenhum outro o faz tao bem, tão profundamente. Ali, nas escadas da Sé Velha, um grupo de estudantes trajados cantava... Em redor, muitos outros estudantes, todos trajados como manda a tradição que por aqui não muda, abraçavam-se, choravam, fechavam os olhos e pareciam querer adivinhar o que o futuro lhes trará ou, simplesmente, recordar naqueles instantes musicais todos os momentos vividos na cidade universitária. Como se quisessem fechá-los na mão e levá-los para toda a vida. Senti-o tambem um dia. Também na Cidade Universitária, mas de Lisboa. Faz um ano que o senti. E trago os momentos na mao. Leva-los-ei sempre nela. Coimbra encanta todos os dias. Nao só na hora da despedida. O que nela encanta mais na hora da despedida é a recordação de tudo o que nela se viveu. Sorrio por saber que pude entender isso, vivendo-a e respirando-a... Obrigada, Coimbra :)
Lu* (Coimbra, 4 de Maio de 2007)
Lu* (Coimbra, 4 de Maio de 2007)
Ronha... ;)
Hoje, deixei-me ficar na cama. Acordei e não dei o pulo do costume. Tenho esta mania: gosto de começar os dias cedinho (não, não se enganem... ADORO dormir!!!!). Acordo e penso sempre que deixar-me ficar é perder tempo... Pois, hoje, decidi perder tempo :) Fiquei ali, naquilo que pode chamar-se de verdadeira "ronha" - e, é certo, ADOREI! Há que ficar na "ronha" mais vezes ;) Entretanto, levantei-me e saí para tomar o pequeno-almoço fora. E para ver o mar :) Que bem me faz ver o mar :) Ontem estive a ler sobre tráfico de crianças. Uma das coisas que todos pensam saber e que todos, na realidade, ignoram. Todos os dias, somos bombardeados pela desgraceira que vai no mundo. Todos os dias, mudamos de canal ao fim de uns minutos de bombardeamento. Todos os dias, não são nossas as casas que caem... E todos os dias tenho vindo a conhecer o mais bárbaro dos mundos. Aquele que fazemos por ignorar. Aquele que nos parece injusto termos que encarar. Porque o dia a dia do trabalho/casa/casa/trabalho nos parece já suficientemente mau... Por tudo o que sei que se passa e por ter a sorte de ter uma cama e uns trocos no bolso, esta manhã fiquei na "ronha" e saí para comer fora e ver o mar.
Lu* (Coimbra, 1 de Maio de 2007)
Lu* (Coimbra, 1 de Maio de 2007)
A menina que sou...

Sinto-me encher de vida
Nas mãos de uma pequena menina,
Que sonha acordada e segue
Sonhando, vida fora.
Há um inexplicável sentido no que a move,
Há uma pureza inabalável que me faz
Não querer saltar das mãos dela
Para o mundo.
Ela adormece, e eu adormeço com ela.
Descanso, sorrio, danço...
Até ela acordar e o sonho continuar
Com uma força extenuante.
Se ela me falta, fico perdida
E é vida que não quero conhecer.
A vida sem ela é o abismo
De me querer forçar a viver.
Com ela, a menina ingénua
Que há em mim,
Rio-me do tudo e
Deslumbro-me perante o nada.
O amanhã, para ela, é tão só o amanhã.
A sua voz diz-me que o agora é tudo e
Que o ontem já não é nada.
E eu, adormecida no sonho dela, acredito.
A sua serenidade embala-me
A cada tristeza.
E a sua leveza permite-me
Maiores sorrisos.
A menina, a pequena e doce menina
Que sou.
A menina que cresce mas não deixa
De ir sonhando, vida fora.
Nas mãos de uma pequena menina,
Que sonha acordada e segue
Sonhando, vida fora.
Há um inexplicável sentido no que a move,
Há uma pureza inabalável que me faz
Não querer saltar das mãos dela
Para o mundo.
Ela adormece, e eu adormeço com ela.
Descanso, sorrio, danço...
Até ela acordar e o sonho continuar
Com uma força extenuante.
Se ela me falta, fico perdida
E é vida que não quero conhecer.
A vida sem ela é o abismo
De me querer forçar a viver.
Com ela, a menina ingénua
Que há em mim,
Rio-me do tudo e
Deslumbro-me perante o nada.
O amanhã, para ela, é tão só o amanhã.
A sua voz diz-me que o agora é tudo e
Que o ontem já não é nada.
E eu, adormecida no sonho dela, acredito.
A sua serenidade embala-me
A cada tristeza.
E a sua leveza permite-me
Maiores sorrisos.
A menina, a pequena e doce menina
Que sou.
A menina que cresce mas não deixa
De ir sonhando, vida fora.
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